Inovar como nos anos 50? – MiniDisc


A realidade que a história nos conta é cruel: frequentemente outro líder recolhe os frutos semeados pelo inovador da tecnologia. E são aqueles que podem realmente desenvolver uma inovação em grande escala e por sua capacidade em fazer da inovação tecnológica um meio para atingir os fins: o produto, o como usar, o como desfrutar. Nesta terceira fase é o líder oportunista (e tenha oportunista na melhor das melhores leituras) que irá ver a luz, fazer uma versão da inovação que dialogue finalmente com o mercado.

 

Nosso gosto pela tecnologia é algo insondável.

Então, a questão de fundo para toda empresa é: “Do que o mercado precisa e nós poderíamos fornecer de forma durável?”. Nós já passamos muito de nosso tempo, desde o pós-guerra, tentando mover o mundo social das novas tecnologias. Como nosso cérebro é nosso inimigo em alguns casos, ele nos move a justificar, analisando a posterior, as empresas que sobreviveram por ler seus sucessos sob o ângulo tecnológico.

Há alguns anos muito se fala sobre este problema, não porque queiramos fazer as pessoas melhores ou para reparar alguma injustiça mundial, mas porque nós trabalhamos no mercado e para obter resultados concretos necessitamos parceiros e clientes alinhados com a realidade.

Há cerca de dois meses, durante um debate sobre a necessidade da “inovação” com um de nossos Clientes, eu argumentava demonstrando uma ferramenta que pessoalmente me fascina: os hiper-círculos de Gartner. Esta “curva de excitação” em torno da tecnologia nos mostra, com uma constância incrível, a que ponto anos após anos reproduzimos os mesmos erros, devido a uma admiração irracional pela inovação tecnológica.

Quando finalmente admitimos que nossa admiração nos faz passar de uma excitação nada moderada e improdutiva a uma fase realista, mas com muito menos glamour, é possível ir ligeiramente mais longe.

Sobre este mecanismo vamos ver grandes empresas irracionalmente admiráveis, que buscam propor tecnologias ao mercado por elas serem simplesmente diferentes daquelas de seus concorrentes.

Quando posicionamos Sony, como exemplo, em termos de admiração eu penso no MiniDisc (por favor, assim como eu faça algum esforço para se lembrar dele), que em 1992 foi a primeira manifestação da tecnologia digital no universo da musica ao grande público. Ele se propunha a substituir o Walkman com fita cassete com inúmeras vantagens por um disco em policarbonato de 3”1/2 (um mini CD).

Um das raras publicidades da época que eu pude ainda encontrar mostrava o marketing de inovação típica que havia sido colocada:

MiniDisc-Sony-Ad

Sobre os seis pontos chaves de sucesso indicados (bateria de alta capacidade, etc.) pergunto: quais deles solucionam problemas críticos para os clientes potenciais? Todos? Algum? Nenhum?

O curioso é que o maior impacto da inovação estava no rodapé da página (portanto fora dos seis pontos chaves de sucesso): uma ferramenta para compilar suas coletâneas. Copiar CD’s, baixar musicas da WEB, editar, reorganizar seu áudio e….. transferir dados. Tudo era possível a partir deste pequeno dispositivo que agora estava ao alcance de suas mãos onde quer que você esteja, em 1992 há exatos 22 anos atrás. Voilà, a verdadeira inovação que viria a revolucionar a forma como ouvimos musica estava no “como”, não no “o que” foco das inovações nos anos 50, 60 e 70.

Esta era a maior inovação, porque tocava a originalidade fundamental da musica digital que agora pode ser reproduzida, memorizada, trocada, etc. Muito difícil afirmar, à época, ou predizer a existência de plataformas e-commerce globais, sobre o armazenamento de nossos bens culturais na nuvem, mas a possibilidade estava em gestação.

Então aconteceu o que deveria ter acontecido: Sony através sua divisão Sony Music, como outros competidores, foi incapaz de renunciar sua “vaca leiteira” que era o CD, uma ferramenta semelhante ao MiniDisc, mas inicialmente concebido para canalizar a venda de música. Importante lembrar que à época Sony Music tinha uma importante participação no mercado da venda de CD pré-gravados de autores e cantores/bandas contratados por eles. Um master-business.

O MiniDisc, ou MD, sendo um formato hiper-proprietário terminou sendo utilizado em aplicações que exigiam flexibilidade, peso reduzido, pouco espaço, como registro de vozes (repórteres e outras profissões). Pouco explorado, enfim.

Mas durante este tempo Sony Music lutava contra outros competidores, o Napster entrava na era da musica digital. Não por fazer mais rápido, mais forte e maior, mas por realmente propor uma forma alternativa de consumir música. A ideia era perfeita, ainda que tenha sido apresentado cedo demais. Napster fechará em 2001, sobre o peso combinado da legislação do direito do autor, da força do lobby da indústria da musica e da falta de utilizadores maduros para financiar este modelo econômico.

Lançado praticamente ao mesmo tempo que Napster, SoundJam MP um software independente permitindo gerenciar sua biblioteca de musica digital, rodando sobre o sistema operacional Mac OS, foi comprada pela Apple….. transformado em iTunes. Partindo deste software Apple virá em 2003 a impor uma Music Store.

A realidade que a história nos conta é cruel: frequentemente outro líder recolhe os frutos semeados pelo inovador da tecnologia. E são aqueles que podem realmente desenvolver uma inovação em grande escala e por sua capacidade em fazer da inovação tecnológica um meio para atingir os fins: o produto, o como usar, o como desfrutar. Nesta terceira fase é o líder oportunista (e tenha oportunista na melhor das melhores leituras) que irá ver a luz, fazer uma versão da inovação que dialogue finalmente com o mercado.

SUGESTÃO DE LEITURA: Inovar como nos anos 50? – Netflix , Os 5 perfis de consumidor frente uma inovação

Valmir Mondejar   mais sobre….   

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