Toda caça adiciona valor ao caçador


Ao iniciar este artigo não pretendi me colocar como um especialista, tampouco esgotar o assunto tornando o leitor um expert no tema. Minha reflexão vem no sentido de tornar acessível a alguns de vocês um dos pontos mais sensíveis, portanto mais sujeito a fracassos, dentre os vários processos de aquisição ou fusão de empresas tão comuns ultimamente. Na posição de não decisores e não participantes do processo, muitos tem grande dificuldade em compreender o fundo e a forma dos chamados ganhos sinérgicos e, portanto, tornam-se impedidos em contribuir.

O objetivo final de qualquer fusão ou aquisição é criar valor ao acionista / proprietário. No entanto, durante ou após a compra é muito comum empresas se distraírem com outras tantas atividades e acabam por perder de vista este objetivo. E são justamente as sinergias que adicionam valor ao negócio atual: canais de acesso, complementaridade de ofertas, excelência na gestão, novos volumes de compras que acessam outras condições comerciais vantajosas, carteiras de clientes complementares, TI, relacionamento com a mídia, etc. Em suma, o que faz com que 1+1 seja superior a 2 é o valor adicionado pelas múltiplas sinergias das empresas envolvidas.

Ao final de cada dia o mercado vai pagar ou punir os acionistas pelos resultados dependendo do como, e quanto, sua equipe de gestão foi bem sucedida em atingir seus objetivos. Mais importante ainda se a empresa for de capital aberto. Tomemos como exemplo a PETROBRAS:

  • stock-photo-m-a-mergers-and-acquisitions-word-cloud-concept-with-great-terms-such-as-deals-stocks-ebitda-111064136Vem promovendo massivamente o potencial de exploração do pré-sal, de ser possuidora de tecnologia de exploração em águas profundas, promete grandes volumes de produção e de que buscará a parceria com empresas internacionais para explorar estas áreas.
  • Por não atingir os resultados prometidos a seus acionistas (p. ex. redução de volumes de produção), desde 2012 registra quedas diárias de suas ações. No momento em que escrevo este artigo sua ação registra o menor valor em 8 anos, e mesmo que ela anuncie uma mega descoberta veremos um voo de galinha no valor de suas ações.
  • Por não tomar as medidas necessárias para recuperação de sua rentabilidade (p.ex. reajuste nos preços dos combustíveis) privilegiando atender a interesses de um acionista maior (o governo federal), o mercado pune a empresa através da fuga de investidores importantes. O mercado neste caso vê claramente a manipulação da empresa pelo Governo em prol de interesses eleitoreiros, o represamento da inflação.

Logo, fazer o que diz e dizer o que faz é fundamental para que funcionários, fornecedores e o mercado reconheça uma empresa de valor.

Dados da PWC nos indicam que somente 44% dos executivos reportam que as aquisições ou fusões poderiam ser classificadas como um sucesso incontestável e que apenas 38% consideram uma ação de sucesso. Olhando a parte de cima do copo, 62% das transações ficaram longe das expectativas do acionista e do mercado.

Fazer este tipo de negócio é muito difícil, mas estabelecer o valor do negócio é ainda mais difícil. De certa maneira, decidir se devemos ou não comprar ou fundir duas organizações pode ser a tarefa mais fácil. A assumpção da propriedade (“owning”) após a transação é o verdadeiro desafio.

E como as empresas que se fundem, ou empresa compradora e empresa vendedora, nem sempre tem a metodologia necessária experiência para identificar, combinar e executar a criação de valor e captura de oportunidades, é necessária a presença de consultores que apoiem o desenvolvimento, com a devida isenção, destas iniciativas. Reconhecer e inventariar os reais valores de ambas organizações e identificar as sinergias a serem exploradas, de forma isenta uma vez que a ambas organizações ele não pertence, será sua principal missão.

Digo com a devida isenção uma vez que não é certo afirmar que a empresa “menor” ou “adquirida” seja menos competente, falha ou incompleta. Aliás, o fato de uma empresa ser adquirida ou fusionada com outra é sinal de força e não de fraqueza. Afinal, se ela interessa a um concorrente ou investidor é porque ele reconhece suas competências, na forma de fazer ou equipes, para seu negócio.

SUGESTÃO DE LEITURA: Diagnóstico de empresas ,Revendo a estratégia

Valmir Mondejar    mais sobre….

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