Consultoria é como remédio. Tomo porque preciso e sei que me ajuda a melhorar, mas o gosto é ruim


Essa frase foi dita há algum tempo por um cliente e define muito bem o sentimento em relação aos serviços de consultoria externa. Não quero usar aqui o já desgastado chavão de que o empresário resiste a fazer consultoria para não ter que sair da “zona de conforto”. Isso explica pouco.

Neste momento quero falar apenas daqueles que já têm a proposta em mãos, mas resistem a dar início ao trabalho e a cada momento alegam alguma coisa para adiá-lo, às vezes indefinidamente. O fato é que:

Um trabalho de consultoria na empresa é uma invasão. Por mais tato e cuidado que os consultores tenham, são pessoas que não pertencem ao quadro da empresa. Como um remédio, entra no corpo por algum tempo, mas não pertence a ele.
Consultores fazem muitas perguntas, respondem poucas, ao menos no começo, e deixam as pessoas sempre pensando se estão sendo analisadas, avaliadas, etc. o que favorece posturas defensivas. Como um remédio precisa ser muito bem formulado para não ser rejeitado pelo organismo.
É preciso arranjar tempo para estar com o consultor, o que requer um esforço e disciplina adicional que não era necessária antes. Como qualquer medicamento, precisa ser tomado nos horários e com a regularidade recomendada para o tratamento, caso contrário não funciona.
Deve-se expor todas as questões chave que travam a empresa. Falar do que está ruim não é agradável. Especialmente se algumas dessas coisas estiverem ligadas ao próprio comportamento e atitudes do contratante. Remédio às vezes também é amargo e intragável, mas não foi feito pra ser gostoso e sim para produzir os efeitos desejados.
Por último, iniciar um trabalho de consultoria na empresa significa estar disposto a assumir tarefas adicionais e distintas. Como remédio, é comum ter que adotar um regime específico para que o medicamento surta efeito.
Por estas razões, compreendemos que às vezes alguns empresários relutam em dar efetivo inicio a projetos de consultoria. De fato não é uma expectativa confortável.
Entretanto, se temos males a serem tratados, não tem jeito. Temos que tomar remédio. O negócio é focar no bom que será o “depois”, porque se ficar pensando só no remédio, aí não toma mesmo. E não cura.
É isso.

por, André Ganzelevitch

Anúncios